Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil

A proposta pedia a discussão dos obstáculos para tornar visível e reconhecido o trabalho de cuidado (com crianças, pessoas idosas, doentes e com a casa) que recai sobre as mulheres no Brasil. Os textos motivadores tratavam do conceito de trabalho de cuidado não remunerado ou mal pago, de dados oficiais sobre o tempo que mulheres e homens dedicam a afazeres domésticos e cuidados, de um estudo do Ipea sobre a concentração dessas tarefas nas famílias, sobretudo nas mulheres, e de uma ilustração sobre o aumento da demanda por cuidados no país.

Tema oficial: INEP

O recorte que não pode faltar

O texto deve discutir por que o trabalho de cuidado feito pelas mulheres permanece invisível (não reconhecido como trabalho, não remunerado ou mal pago) e quais desafios existem para enfrentar essa invisibilidade no Brasil: mulher, cuidado, trabalho e invisibilidade precisam aparecer juntos.

Como não fugir do tema

  • Falar do trabalho da mulher em geral (mercado de trabalho, diferença salarial, rotina) sem mencionar o cuidado ou a sobrecarga que ele gera.
  • Tratar o cuidado como vocação, dom ou 'função natural' da mulher, sem reconhecê-lo como trabalho.
  • Discutir a divisão do trabalho entre homens e mulheres de forma ampla, sem relacioná-la ao trabalho de cuidado.

Três caminhos de argumentação

1.Naturalização cultural do cuidado

Argumente que o cuidado é socialmente visto como expressão de afeto ou 'instinto' feminino, e não como trabalho. Explique que essa ideia é construída desde a infância, na divisão de brinquedos e tarefas domésticas. Contraste com a Lei nº 15.069/2024, que define o cuidado como trabalho necessário à sustentação da vida, da sociedade e da economia.

2.Sobrecarga e custo invisível para as mulheres

Mostre que o tempo gasto com cuidado não remunerado limita as oportunidades de estudo, de emprego e de renda das mulheres, além de afetar sua saúde e seu tempo livre. Relacione isso à meta 5.4 dos ODS, que pede o reconhecimento e a valorização desse trabalho. Inclua também a face remunerada: quem cuida por salário, como as trabalhadoras domésticas, também enfrenta desvalorização.

3.Falta de estrutura pública e de corresponsabilidade

Argumente que, sem creches, serviços para pessoas idosas e apoio a pessoas com deficiência, o cuidado recai sobre as famílias e, dentro delas, sobre as mulheres. A Constituição já estabelece igualdade de direitos e deveres entre homem e mulher na sociedade conjugal. A Política Nacional de Cuidados propõe justamente a corresponsabilidade entre Estado, famílias, setor privado e homens e mulheres.

Repertórios com fonte

Só referências que você pode conferir na fonte oficial.

Lei nº 15.069/2024 (Política Nacional de Cuidados)

A lei define cuidado como trabalho cotidiano necessário à sustentação da vida e da economia (art. 5º, I) e tem entre seus objetivos o reconhecimento, a redução e a redistribuição do trabalho não remunerado de cuidado, realizado principalmente pelas mulheres (art. 4º, VI). É o repertório mais direto para o tema.

Ver fonte →

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, meta 5.4

A meta propõe reconhecer e valorizar o trabalho de cuidado e o trabalho doméstico não remunerados por meio de serviços públicos, infraestrutura, proteção social e divisão de responsabilidades dentro de casa. Ajuda a fundamentar a proposta de intervenção.

Ver fonte →

Constituição Federal, art. 5º, I, e art. 226, § 5º

O art. 5º, I, afirma que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações; o art. 226, § 5º, estabelece que os direitos e deveres da sociedade conjugal são exercidos igualmente por ambos. Use para contrastar a igualdade formal com a divisão desigual do cuidado.

Ver fonte →

Lei Complementar nº 150/2015 (contrato de trabalho doméstico)

A lei regula o trabalho doméstico remunerado. Serve para discutir que o cuidado pago também faz parte do tema e que ter regras em lei não basta se a atividade continua socialmente desvalorizada.

Ver fonte →

Uma proposta de intervenção completa

Com os cinco elementos que a cartilha do INEP pede. Entenda a Competência V →

Ação
ampliar a oferta pública de serviços de cuidado, como creches em período integral e centros-dia para pessoas idosas
Agente
os municípios, com apoio técnico e financeiro da União no âmbito da Política Nacional de Cuidados
Meio
repasse de recursos vinculado a metas de cobertura, com prioridade para os bairros de maior demanda
Efeito ou finalidade
redistribuir o trabalho de cuidado hoje concentrado nas mulheres, permitindo que elas estudem, trabalhem e tenham tempo para o autocuidado
Detalhamento
em paralelo, as escolas devem promover rodas de conversa sobre a divisão igualitária das tarefas domésticas entre meninos e meninas, atacando a raiz cultural do problema

Escreveu sobre este tema? Mande para correção

Uma especialista humana corrige pelas cinco competências e mostra o que treinar a seguir.

Enviar minha redação grátis

Sua primeira correção é gratuita. Sem cartão, sem compromisso.

Perguntas sobre este tema

Posso falar da dupla jornada?
Sim, mas a dupla jornada precisa aparecer ligada ao cuidado com filhos, pessoas idosas, doentes e a casa. Falar só de mercado de trabalho leva ao tangenciamento.
O cuidado feito por trabalhadoras domésticas pagas entra no tema?
Entra, porque o tema trata de invisibilidade e desvalorização, e o trabalho mal pago também faz parte do problema, desde que o foco continue nas mulheres.
Preciso falar dos homens?
Não é obrigatório, mas discutir a corresponsabilidade masculina costuma fortalecer a argumentação e a proposta. O que não pode é centrar o texto em cuidado feito exclusivamente por homens.

Treine com outros temas

Todos os temas de 2015 a 2025 →·Guia do ENEM 2026 →