Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

A proposta pedia caminhos, ou seja, soluções, para combater a intolerância religiosa no Brasil. Os textos motivadores tratavam da laicidade do Estado e da liberdade de crença garantida pela Constituição, da diferença entre criticar dogmas e agredir alguém por sua crença (ou por não ter religião), de um trecho do Código Penal sobre crimes contra o sentimento religioso e de um levantamento de denúncias que apontava os fiéis de religiões afro-brasileiras como as principais vítimas.

Tema oficial: INEP

O recorte que não pode faltar

Combater a intolerância religiosa: o texto deve discutir o problema no Brasil e, sobretudo, apontar caminhos concretos para enfrentá-lo, porque o próprio tema já pede soluções.

Como não fugir do tema

  • Discutir religião em geral (fé, história das religiões, se religião faz bem ou mal) sem focar na intolerância.
  • Defender ou atacar uma religião específica, em vez de defender a liberdade de todas as crenças e o direito de não ter crença.
  • Tratar apenas de conflitos religiosos no exterior, sem o recorte brasileiro, ou ficar só no diagnóstico sem discutir caminhos.

Três caminhos de argumentação

1.Laicidade do Estado e liberdade de crença

Explique que Estado laico não é Estado antirreligioso: ele não adota nem favorece nenhuma religião justamente para proteger todas. Use a Constituição (liberdade de crença e vedação de alianças entre Estado e igrejas) para mostrar que o problema não é falta de garantia legal. Discuta como a mistura entre convicções religiosas e decisões públicas pode alimentar a exclusão de minorias religiosas.

2.Herança histórica e racismo religioso

Parta do dado da própria coletânea, que apontava os fiéis de religiões afro-brasileiras como os mais atingidos, e busque a explicação histórica. Mostre que o preconceito contra essas religiões se mistura ao racismo, pois elas foram historicamente associadas à população negra escravizada e marginalizadas por isso. Esse eixo mostra que combater a intolerância exige também enfrentar o racismo estrutural.

3.Educação, mídia e discurso de ódio

Argumente que a intolerância nasce da ignorância sobre o outro e se espalha com rapidez em meios de comunicação e redes sociais. Mostre que a lei já pune quem pratica, induz ou incita a discriminação por religião, mas que a punição chega depois do dano. Defenda a escola como espaço de conhecimento sobre a diversidade religiosa, sem proselitismo, como caminho preventivo.

Repertórios com fonte

Só referências que você pode conferir na fonte oficial.

Constituição Federal, art. 5º, VI

Garante a inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença e a proteção aos locais de culto e suas liturgias; use para mostrar que a intolerância viola um direito fundamental.

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Constituição Federal, art. 19, I

Proíbe União, estados, Distrito Federal e municípios de estabelecer cultos ou igrejas, subvencioná-los ou manter com eles relações de dependência ou aliança; base para discutir a laicidade.

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Lei nº 7.716/1989, art. 20 (incluindo o § 2º-B, acrescentado pela Lei nº 14.532/2023)

Tipifica como crime praticar, induzir ou incitar discriminação por religião e pune quem impede ou emprega violência contra manifestações religiosas; útil para mostrar que intolerância é crime, e não opinião.

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Lei nº 11.635/2007 (Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, 21 de janeiro)

Mostra que o Estado reconhece oficialmente o problema; a data pode ser aproveitada na proposta de intervenção como momento de campanhas e atividades escolares.

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Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU), artigo 18

Assegura a toda pessoa a liberdade de pensamento, consciência e religião, incluindo mudar de crença e manifestá-la em público ou em privado; repertório internacional que amplia o argumento.

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Uma proposta de intervenção completa

Com os cinco elementos que a cartilha do INEP pede. Entenda a Competência V →

Ação
Incluir o estudo da diversidade religiosa e da laicidade nas escolas e promover campanhas públicas contra a intolerância.
Agente
Ministério da Educação, em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
Meio
Formação de professores e produção de materiais pedagógicos sobre diferentes tradições religiosas e sobre o direito de não ter religião, com atividades concentradas no Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.
Efeito ou finalidade
Reduzir o preconceito desde a formação escolar e fazer a população reconhecer a intolerância religiosa como violação de direitos e como crime, estimulando a denúncia.
Detalhamento
As atividades devem ter caráter informativo e não confessional, com participação de lideranças de diferentes tradições, especialmente as de matriz africana, e de pessoas sem religião, para que o respeito seja construído pelo diálogo.

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Perguntas sobre este tema

Preciso citar o Código Penal?
Não. Ele já aparecia nos textos motivadores; use-o só se acrescentar interpretação própria. Leis como a 7.716/1989 ou a 11.635/2007 mostram repertório além da coletânea.
Posso falar de pessoas sem religião?
Sim. A liberdade de consciência inclui o direito de não ter crença, e um dos textos motivadores tratava disso; incluir ateus e agnósticos amplia a argumentação.
O tema aceita focar em uma religião específica?
Você pode dar destaque às religiões de matriz africana, apontadas na coletânea como as mais atingidas, desde que o texto defenda a liberdade de todas as crenças e não vire ataque ou defesa de uma fé.

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