O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

A proposta pedia uma discussão sobre o preconceito e a marginalização que recaem sobre pessoas com doenças mentais no Brasil. Os textos motivadores tratavam da diferença entre saúde mental e simples ausência de doença, da origem da palavra “estigma” e de como rótulos e a exigência de uma vida perfeita nas redes sociais afastam quem sofre, além de uma peça de divulgação com dados atribuídos à OMS sobre depressão.

Tema oficial: INEP

O recorte que não pode faltar

O “estigma”: o foco é o preconceito, os rótulos e a exclusão associados às doenças mentais, e não apenas as doenças em si ou a falta de tratamento.

Como não fugir do tema

  • Escrever sobre saúde mental ou depressão em geral (causas, sintomas) sem discutir o estigma.
  • Focar só na falta de estrutura do sistema de saúde, sem mostrar o papel do preconceito.
  • Tratar apenas de suicídio ou apenas de redes sociais, sem conectar esses assuntos ao estigma.

Três caminhos de argumentação

1.Raízes históricas do estigma

Mostre que pessoas com transtornos mentais foram historicamente afastadas do convívio social, associadas à ideia de periculosidade e internadas em instituições fechadas. Explique que a Lei nº 10.216/2001 redirecionou esse modelo, garantindo tratamento com humanidade e preferencialmente em serviços comunitários. Argumente que a mudança na lei ainda não se completou na mentalidade social.

2.O estigma como barreira ao cuidado

Use a OPAS/OMS, que aponta que o estigma e a discriminação podem diminuir o acesso à saúde e aos serviços sociais. Explique que o medo do rótulo faz muitas pessoas esconderem o sofrimento e adiarem a busca por ajuda. Mostre que, assim, o preconceito agrava o próprio problema de saúde.

3.Cultura do desempenho e ambientes de convivência

Discuta como a ideia de que transtorno mental é “frescura” ou fraqueza se liga a um ideal de felicidade e produtividade reforçado pelas redes sociais. Mostre que escola e trabalho podem reproduzir o estigma ou combatê-lo. Cite a política de atenção psicossocial nas comunidades escolares como caminho para acolher e informar.

Repertórios com fonte

Só referências que você pode conferir na fonte oficial.

Lei nº 10.216/2001 (Lei da Reforma Psiquiátrica), arts. 1º e 2º

Assegura os direitos das pessoas com transtorno mental sem discriminação e garante, entre outros, ser tratada com humanidade e respeito e, preferencialmente, em serviços comunitários de saúde mental.

Ver fonte →

Organização Mundial da Saúde: definição de saúde mental

A OMS define saúde mental como um estado de bem-estar que permite lidar com o estresse, desenvolver habilidades, aprender, trabalhar e contribuir com a comunidade, e a considera um direito humano básico; ótimo para a introdução.

Ver fonte →

OPAS/OMS: estigma e acesso a serviços

A OPAS/OMS afirma que o estigma e a discriminação podem diminuir o acesso à saúde e aos serviços sociais; use para mostrar a consequência concreta do preconceito.

Ver fonte →

Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do SUS

Rede integrada de serviços do SUS para pessoas em sofrimento mental, que inclui a Atenção Primária, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e outros pontos; útil para indicar onde buscar ajuda e como meio da intervenção.

Ver fonte →

Lei nº 14.819/2024 (Política Nacional de Atenção Psicossocial nas Comunidades Escolares)

Tem entre seus objetivos promover a saúde mental da comunidade escolar e divulgar informações cientificamente verificadas sobre saúde mental, com a não discriminação como diretriz; base legal para uma proposta centrada na escola.

Ver fonte →

Uma proposta de intervenção completa

Com os cinco elementos que a cartilha do INEP pede. Entenda a Competência V →

Ação
Realizar ações permanentes de combate ao estigma das doenças mentais, com informação cientificamente verificada.
Agente
Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação.
Meio
Implementação da Política Nacional de Atenção Psicossocial nas Comunidades Escolares, com formação de profissionais da educação e integração das escolas às equipes da Atenção Primária e dos CAPS.
Efeito ou finalidade
Desfazer a ideia de que transtornos mentais são “frescura” ou fraqueza e incentivar a busca precoce por ajuda, reduzindo a exclusão de quem sofre.
Detalhamento
As ações devem contar com a participação de pessoas que convivem com transtornos mentais e de seus familiares e divulgar, em linguagem acessível, como funcionam os serviços da Rede de Atenção Psicossocial.

Escreveu sobre este tema? Mande para correção

Uma especialista humana corrige pelas cinco competências e mostra o que treinar a seguir.

Enviar minha redação grátis

Sua primeira correção é gratuita. Sem cartão, sem compromisso.

Perguntas sobre este tema

Posso usar “doença mental” e “transtorno mental” como sinônimos?
Sim, para evitar repetição: o tema fala em doenças mentais e a legislação brasileira usa “transtorno mental”. Evite termos pejorativos, que reproduzem justamente o estigma criticado.
Preciso citar dados sobre depressão?
Não. Se usar números, indique a fonte e não invente. Um repertório conceitual ou legal, como a definição de saúde mental da OMS ou a Lei nº 10.216/2001, sustenta o argumento sem esse risco.
Falar de suicídio foge ao tema?
Não foge se você relacionar ao estigma, mostrando que o preconceito leva a pessoa a esconder o sofrimento e adiar a ajuda. Mas o suicídio não deve ser o centro do texto.

Treine com outros temas

Todos os temas de 2015 a 2025 →·Guia do ENEM 2026 →